viagem eterna / the eternal journey for man
quando erguermos os braços
e as árvores altas nos tocam a cabeça
surge no rosto maravilhado da alquimia
o sorriso petrificado da eternidade…
quando erguermos os braços
e as nuvens altas nos tocam a cabeça
surge no rosto incauto da loucura
o sorriso fátuo da felicidade…
é curta e interminável
a laboriosa passagem entre os homens
when our arms we lift up
and the tall trees touch our heads
then the marvelled face of Alchemy
shows the petrified smile of Eternity
when our arms we lift up
and the high clouds touch our heads
then will the unwary face of madness
show the fleeting smile of happiness
it must be brief and endless
this enduring journey amongst men
06.08.12/22
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
mais vale uma na mão
domingo, 15 de novembro de 2009
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
os braços com que nasci
palavras cruzadas
a poesia é imanente
transbordante de metáforas silenciosas
dilacerante e única
ergue palavras como muralhas cintilantes
habita o crepúsculo das águas
abre caminhos incertos plas veredas da vida insólita
que só os poetas habitam
(...)
não tenho nada de novo
apenas
uma lenta equação
e uma espécie de delírio
que nos sufoca
(...)
algo de novo
é
partir
querer um universo
sem paredes altas
onde a respiração seja a luz
e o destino da vida
transcenda a rotina da carne
os caminhos não terminem
e cruzem-se em todos os sentidos
abismos onde não houvesse abismos
com esses gestos
fracos exaustos e adormecidos
vamos delinear novos destinos
não sei para que outros astros
(...)
Uma parte de mim permanece
no êxtase periférico
do labirinto que habito
outra parte subsiste
entre dois mundos paralelos
que se reflectem
e não se tocam.
(...)
atrás desta cortina silenciosa
ondulam as palavras
com que me deito
adormecido sobre as pedras
sonho que partimos há muito...
no esplendor da vida
abandonámos
a terra quente e fecunda
para mergulhar na rocha sólida
e erguer nas altas montanhas
o sonho dissipado
da poesia.
(...)
o homem nasce e morre
vive na luz na sombra e no limite
cria muralhas
e alicerces de labirintos sinuosos
os poetas abandonam a cidade
e na libertação
desenham mãos e peixes voadores
nas paredes e nos papeis dispersos
onde o torpor único das horas
dissolve o enxofre
a glória
e os sentidos.
04.11.15
07.12.01
ultimato inútil
quero ser abstracto
delinear no cosmos sensível a permanência
ter cores incertas
querer o sangue volátil dos astros
o que vos disser
ser como aquele boneco que abandonámos
a vida versátil e o labor tributado
a frieza nostálgica da memória
um eclipse que nos dilata
corroi
e elimina
poesia
não sei se te olho deste lado do espelho
no labirinto que habito
ou se te imagino
reflexo do olhar profundo
que de outro lado os teus olhos vêem
há uma neblina para sempre dissipada
ao largo de ítaca, "verde e formosa"...
onde nascemos e onde esperamos a morteque há-de ser breve
e luminosa
(...)
traze-me o cálice que os teus lábios beijaram
passei a noite
a ouvir os teus gritos
eram pássaros da noite fria
vinhas do norte e do sul
disforme e simultânea
adormecida sobre as nuvens
envolta em cristais fulminantes
difusa
temporal de mares e sombras agitadas
acordo
liberto-te
não sei se te amo
espero-te até ao fim
hás-de abraçar-me sufocante
obra negra de rubro
oiço os teus passos
sim
são pássaros que grito
e partem para longe...
02.05.21
02.09.19
POESIA
sentaste-te a meu
lado
no grande jardim oblongo
que me
circunda.
vieste ouvir comigo
o desespero dos
pássaros
no orvalho branco
do velho ulmeiro
morto.
…e os caminhos
que vão para o outro lado!
(o sussúrro líquido da fonte
ondula-me não sei que sombra
de floresta ao
longe!)
vieste olhar-me de
perto?
sempre aqui
estive.
reflexo, exausto,
vertical.
e assim me parece
que sempre andei atrás de ti,
para ver o que fazes,
para ver como
ages,
e em que vago leito lunar te
deleitas…
tenho sido sempre no rio
as margens e as
pedras
rolam…
(vieste, como a
floresta,
fustigar-me as velas
pandas
candelabro
parede?)
… a água, incerta,
das enormes vagas que me
transtornam.
1998
am
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Hieronymus Bosh
School of Francis Bacon
Desenho
Poesia para internet
o cheiro acre do enxofre branco
confunde-se nas cortinas
com o tempo que passa por elas…
abro a porta intemporal das coisas
enquanto vasculhas a meu redor
e limpas o pó que me cobre…
o que procuramos afinal?
eu desenhei gestos simbólicos que permanecem na cal
permanecem nos muros brancos silenciosos que nos cercam
e nas palavras incautas que dizemos
quando acordados olhamos
o desespero da multidão…
caímos no areal e na Hora adversa!
entra luz agora pelas frechas dos postigos fechados
com que me semicerraste…
eu não abandono os loucos nem os cães.
não abandono a miséria.
abríamos os braços
ao entardecer…
éramos aquele estranho fulgor da exaltação?
o reflexo que nos deixa sentados no lugar vazio…
a ideia fixa mas volátil
de um dia ter partido indefinido…
a ideia fixa e volátil
de nos alimentarmos em sonhos ultrapassados…
desenhámos com as mãos o caminho.
olhámos para o alto como se alguma coisa
nos indicasse o norte e o sul
o ir e o regresso preciso
e só nas pedras
nas pedras que rolámos na margem que nos define
conseguimos escrever o texto infinito…
eu sei que nos perdemos nas palavras.
am
06.11.08

