viagem eterna / the eternal journey for man


quando erguermos os braços

e as árvores altas nos tocam a cabeça

surge no rosto maravilhado da alquimia

o sorriso petrificado da eternidade…

quando erguermos os braços

e as nuvens altas nos tocam a cabeça

surge no rosto incauto da loucura

o sorriso fátuo da felicidade…

é curta e interminável

a laboriosa passagem entre os homens



when our arms we lift up

and the tall trees touch our heads

then the marvelled face of Alchemy

shows the petrified smile of Eternity

when our arms we lift up

and the high clouds touch our heads

then will the unwary face of madness

show the fleeting smile of happiness

it must be brief and endless

this enduring journey amongst men


06.08.12/22


segunda-feira, 16 de novembro de 2009

mais vale uma na mão

Mais vale uma na mão do que duas a voar! Eis o desígnio epitáfico que nos há-de circundar a metáfora-astro que encerra todo o nosso grande mistério. Mais do que a verdade da esfínge mesmo que escrita na enigmática linguagem da velha espagíria. Desejamos as que voam mas basta-nos a que temos. Indizível forma de vida. 97.08.28

domingo, 15 de novembro de 2009

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

às vezes escrevemos páginas inteiras cobertas de palavras brancas silenciosas que não sabemos o que dizem. são poemas secretos indizíveis transparentes e que só o rumor do pensamento consegue decifrar.
todos os dias olhamos o mesmo espelho onde vemos a aurea cintilante que nos contorna...

os braços com que nasci

os braços com que nasci envolvem as águas de mil fontes um mar imenso de reflexos na ilusão do porvir.

palavras cruzadas

palavras cruzadas castelos intactos uma constelação incerta oscila no tempo que demora o tempo exacto
Como se não bastasse o fedor da hipócrisia ainda somos obrigados a suportar o mau cheiro da incompetência?!



a poesia é imanente

transbordante de metáforas silenciosas

dilacerante e única

ergue palavras como muralhas cintilantes

habita o crepúsculo das águas

abre caminhos incertos plas veredas da vida insólita

que só os poetas habitam


(...)

não tenho nada de novo


apenas
uma lenta equação
e uma espécie de delírio
que nos sufoca

(...)

algo de novo
é
partir

querer um universo
sem paredes altas
onde a respiração seja a luz
e o destino da vida
transcenda a rotina da carne

os caminhos não terminem
e cruzem-se em todos os sentidos

abismos onde não houvesse abismos

com esses gestos
fracos exaustos e adormecidos
vamos delinear novos destinos

não sei para que outros astros

(...)

Uma parte de mim permanece

no êxtase periférico

do labirinto que habito

outra parte subsiste

entre dois mundos paralelos

que se reflectem

e não se tocam.


(...)



atrás desta cortina silenciosa

ondulam as palavras

com que me deito


adormecido sobre as pedras

sonho que partimos há muito...


no esplendor da vida

abandonámos

a terra quente e fecunda

para mergulhar na rocha sólida

e erguer nas altas montanhas

o sonho dissipado

da poesia.

(...)

o homem nasce e morre

vive na luz na sombra e no limite

cria muralhas

e alicerces de labirintos sinuosos


os poetas abandonam a cidade

e na libertação

desenham mãos e peixes voadores

nas paredes e nos papeis dispersos

onde o torpor único das horas

dissolve o enxofre

a glória

e os sentidos.

04.11.15

07.12.01


realidade?


um poeta incandescente rasgou-me os papeis da realidade.

ultimato inútil


quero ser abstracto
delinear no cosmos sensível a permanência
ter cores incertas
querer o sangue volátil dos astros

o que vos disser
ser como aquele boneco que abandonámos

a vida versátil e o labor tributado

a frieza nostálgica da memória
um eclipse que nos dilata
corroi
e elimina

poesia


não sei se te olho deste lado do espelho
no labirinto que habito
ou se te imagino
reflexo do olhar profundo
que de outro lado os teus olhos vêem

há uma neblina para sempre dissipada
ao largo de ítaca, "verde e formosa"...
onde nascemos e onde esperamos a morteque há-de ser breve
e luminosa

(...)

traze-me o cálice que os teus lábios beijaram

passei a noite
a ouvir os teus gritos
eram pássaros da noite fria
vinhas do norte e do sul
disforme e simultânea
adormecida sobre as nuvens
envolta em cristais fulminantes
difusa
temporal de mares e sombras agitadas
acordo
liberto-te
não sei se te amo
espero-te até ao fim
hás-de abraçar-me sufocante
obra negra de rubro
oiço os teus passos
sim
são pássaros que grito
e partem para longe...

02.05.21
02.09.19

POESIA

sentaste-te a meu
lado
no grande jardim oblongo
que me
circunda.

vieste ouvir comigo
o desespero dos
pássaros
no orvalho branco
do velho ulmeiro
morto.

…e os caminhos
que vão para o outro lado!

(o sussúrro líquido da fonte
ondula-me não sei que sombra
de floresta ao
longe!)

vieste olhar-me de
perto?

sempre aqui
estive.

reflexo, exausto,
vertical.

e assim me parece
que sempre andei atrás de ti,
para ver o que fazes,
para ver como
ages,
e em que vago leito lunar te
deleitas…

tenho sido sempre no rio
as margens e as
pedras que nelas
rolam…

(vieste, como a
floresta,
fustigar-me as velas
pandas do
candelabro que desenhei na
parede?)

… a água, incerta,
das enormes vagas que me
transtornam.



1998

am

Minha foto
Faro, Algarve, Portugal
...

Portrait by Alex Alien
entra luz agora pela janela do meu quarto…

o cheiro acre do enxofre branco
confunde-se nas cortinas
com o tempo que passa por elas…

abro a porta intemporal das coisas
enquanto vasculhas a meu redor
e limpas o pó que me cobre…

o que procuramos afinal?

eu desenhei gestos simbólicos que permanecem na cal
permanecem nos muros brancos silenciosos que nos cercam
e nas palavras incautas que dizemos
quando acordados olhamos
o desespero da multidão…

caímos no areal e na Hora adversa!
entra luz agora pelas frechas dos postigos fechados
com que me semicerraste…
eu não abandono os loucos nem os cães.
não abandono a miséria.
abríamos os braços
ao entardecer…

éramos aquele estranho fulgor da exaltação?
o reflexo que nos deixa sentados no lugar vazio…
a ideia fixa mas volátil
de um dia ter partido indefinido…
a ideia fixa e volátil
de nos alimentarmos em sonhos ultrapassados…

desenhámos com as mãos o caminho.
olhámos para o alto como se alguma coisa
nos indicasse o norte e o sul
o ir e o regresso preciso
e só nas pedras
nas pedras que rolámos na margem que nos define
conseguimos escrever o texto infinito…

eu sei que nos perdemos nas palavras.

am
06.11.08

mixed media | painting by Brook Mcgowen

o homem que se arrasta
até casa e adormece

todas as noites do ano

da mesma maneira

um dia acordará

virado para o outro lado

não sentirá os braços

nem as pernas

nem o resto do corpo

só um eco

que o desperta

para o dia iluminado

em que à noite não regressa a casa

nem se deita nem adormece


cão a falar / speaking dog